2.6.15

alegorias de vida

o Harai, o patudo gigante e mega belo da C., faz recusa de comida (como todos os patudos com dono deveriam fazer de pessoas que não conhecem de lado nenhum). mas a questão com o Harai é que ele faz recusa à séria e entre morrer à fome e aceitar comida de estranhos, venha a morte.

ele tem a primary - a C. - e uma secondary - a irmã dela - o que de facto não é bom. é preciso uma rede maior de apoio. mas os nossos animais são sempre um reflexo de nós. e a C. e eu somos muito parecidas e a pessoa que sou hoje ao ter um animal não cometeria esse erro. a pessoa que eu era há 14 anos atrás teria cometido esse erro.

a confiança para nós é hard won. conquista-se a pulso, ao longo do tempo, mesmo que gostemos logo muito das pessoas (and we got on like a house on fire). quando já se passou por muito nesta vida e pelas mãos de gente que não mereceu uma pinga do afecto que tivémos por elas, surgem mecanismos de defesa e couraçadas, todos muito elaborados. surge a recusa de comida *à séria* mesmo que implique a morte.

isto é tudo muito simples e muito óbvio: deixar pessoas random chegarem-se ao pé de nós e 'alimentarem-nos' pode significar o risco de sermos magoados *à séria*. pelo que: recusa.

mas a vida muda e nós mudamos. apercebemo-nos que nem todos são iguais e, acima de tudo, não queremos ser injustos e meter tudo no mesmo saco (ainda que alguns acabem por dar provas de que nunca deveriam ter saído do saco, mas isso diz mais sobre eles do que sobre nós).

pelo que, com cautelas, permitimos aproximações cuidadosas, baixamos defesas. conheci a C. o ano passado. fomo-nos vendo randomly e agora mais regularmente. o 
Harai já me reconhece ao fundo da rua e vem-me buscar (a Morgaine pelos vistos tenho de estar molhada do mar e de bikini e a rebolar na areia ... *no comments*).

ao longo dos últimos meses, reparei que o 
Harai observava a reacção da C. a mim quando chegava (damos sempre uns bons abraços. ela quer engarrafar e vender os meus abraços.). há 2 semanas ofereci-lhe comida pela primeira vez, como lhe competia ele olhou para a C. primeiro em busca de aprovação, quando ela lhe fez sinal, ele aceitou.

passeamos todos juntos, ele aceita que lhe leve a trela, e estamos a medir o temperamento um do outro. como está treinado, tenho feito um speed learning para aprender os comandos como a C. os faz para não o deixar baralhado. cada um tem os seus termos, e os compromissos são necessários em qualquer relação. isto não é «quero assim e acabou». respeito pelos outros é uma coisa linda. consistência e coerência. time and dedication. são necessários em todas as relações na vida.

porém, este domingo passado ele aceitou comida da minha mão sem olhar para a C. a perguntar. leia-se, este domingo o 
Harai decidiu que we were all family (a Filipa já era mais que família). depois de meses, de medir a entrega e a presença. de ver os cuidados em baixar defesas e really be there.

agora, compete-me a mim não o desapontar, senão shields fucking up (e com razão) e não se volta a entrar. compete-me a mim continuar a ser coerente e consistente e remain there. isto é do mais simples que há. chama-se confiança e quando se perde, é difícil voltar a tê-la. simple as.

este domingo, vi claramente os novos laços na minha vida e também vi claramente os laços que tenho de desfazer. a confiança depois de quebrada é difícil de recuperar, mais ainda quando as pessoas acham que isto é nos termos delas apenas e somente. não é. isto é óbvio para o 
Harai, mas escapa a algumas pessoas. isto diz tudo acerca do Harai e diz tudo acerca delas.

isto é uma alegoria, anda imensa poeira no ar e tenho decisões de fundo a tomar sobre mim, a minha vida, e algumas pessoas. tudo isto é complicado e mexe com muita coisa. i remain a work in progress.